segunda-feira, 22 de julho de 2019

O mais belo caso de amor: Maycon Emanuel

Olá, amores!
Dando continuidade às histórias sobre o emocional e o diabetes. Na postagem anterior falei sobre as oscilações glicêmicas na hora do sexo e nos términos de namoro de maneira bem resumida.
Agora vou falar de algo bem mais profundo: A maternidade.
Imagine você como é a relação de afeto entre mãe e filho. As descobertas, as mudanças hormonais, o corpo sendo transformado por um serzinho que mesmo antes de vim ao mundo já emana luz e muito amor.
Foi assim: era minha segunda gravidez. Tive duas.
A primeira em 2010(aborto espontâneo) e a segunda em 2014 (nativivo).
A primeira eu não vivenciei nada, pois descobri no mesmo dia que perdi. Já a segunda, eu curti muito, muito mesmo! Porém, as mudanças acabaram interferindo no controle glicêmico e o desfecho da história não foi o tão sonhado por mim.
Vou começar do momento em que eu entrei em trabalho de parto. Foi um parto induzido e eu estava com oito meses.
Dia 04 de dezembro eu fui encaminhada para uma sala para que as enfermeiras iniciassem a indução do parto.  Por volta das 21 horas eu comecei a sentir dores e o Maycon Emanuel, nasceu às 4:19 do dia 05 de dezembro de 2014.
Eu lembro bem o momento do parto. Minha glicemia estava 25 mg/dl e enquanto uma enfermeira pulsionava a veia no meu braço para tentar colocar o soro glicosado, a outra tentava sem sucesso ouvir os batimentos cardíacos do Emanuel. Até que eu juntei todas as forças que ainda tinha e a cabeça do Emanuel saiu...
Eu apoiei meus dois cotovelos sobre o colchão da maca, enquanto a enfermeira girou o  meu filho e foi puxando para fora. O rosto dele estava virado para minha coxa direita e eu vi quando seus bracinhos foram caindo por cima de seu peitoral. Eu pensei que ele estava morto e pedi pra Deus não deixar isso acontecer.
A enfermeira continuou puxando e ele estava completamente desfalecido e eu fui morrendo por dentro. Quando elas retiraram ele, rapidamente cortaram o cordão umbilical e correram com meu filho nos braços. Eu fiquei sozinha naquela sala. Passaram-se alguns minutos que pareceram uma eternidade, até que voltaram com a notícia de que meu filho precisou ser entubado e ir para UTI neonatal.
Eu subi pra ver ele depois de quase 2 horas após o parto, mas o pai já havia ido mostrar a foto dele pra mim.
Era o amor da minha vida. Eu tinha certeza! Eu nunca tinha sentido nada igual. No entanto,  o Emanuel não estava bem. Estava em coma induzido por causa das convulsões frequentes e segundo a pediatra ele teria alguns traumas, não sabíamos quais, pois precisaria de exames que eram inviáveis no momento.
Então eu orei! Orei e perdi a conta de quantas vezes eu subi e desci a escada da maternidade sempre pedindo a Deus a proteção para meu príncipe.
Já no terceiro dia eu recebi alta e a noite, antes de sair da UTI  onde o Maycon estava eu orei dizendo pra Deus que eu queria muito criar o meu filho, mas eu não suportaria ver ele sofrendo.
No outro dia quando eu estava na porta da UTI o meu celular tocou. A psicóloga disse que a médica me aguardava para falar comigo.
Meu Deus, o pior aconteceu!  Quando eu olhei para a encubadora e ele não estava meus olhos se encheram de lágrimas enquanto a médica dava a notícia da morte do Emanuel.
Fizemos todos os procedimentos necessários para que pudéssemos levar o corpo até o meu local de origem e assim realizar o velório e enterro. Foi o único velório que me fez chorar.
Morria um pedacinho de mim naquele nove de dezembro.
Por causa do meu estado emocional eu tive uma hipoglicemia severa e convulsão, fui levada para a unidade básica de saúde durante a madrugada e só fui liberada após muita conversa para o enterro do meu filhote. Ele é o serzinho mais lindo da face da terra. A boca, as mãos e pés lembravam muito o pai.
Tudo terminou para quem acompanhava o enterro, porém para mim era o início de um longo sofrimento e descontrole glicêmico que começava.
Continuarei a falar na próxima postagem de como consegui superar esta perda.
Beijos, amores ❤

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